A Inconfidência Mineira



Dia da Liberdade

Nos segundo e terceiro trimestres de 2002 fiz uma peregrinação por vários municípios do Campo das Vertentes e em espaços culturais de Belo Horizonte, convidando autoridades e amantes da cultura para participarem do ato inicial de uma grande jornada cívica. Na cidade de Tancredo Neves peregrinaram comigo os historiadores e acadêmicos José Antônio de Ávila Sacramento, Presidente do Instituto Histórico e Geográfico local, e Wainer de Carvalho Ávila, Presidente da Academia de Letras da mesma cidade; o primeiro me orientou e acompanhou desde o início, e o segundo juntou-se a nós no decorrer a mesma.


INTRODUÇÃO

A jornada a que me referia era um belo e cívico projeto de se construir, na Fazenda do Pombal, torrão sacro-cívico, e que chamo de Berço da Pátria, onde Tiradentes viu a luz do sol pela primeira vez, um monumental parque histórico a ele dedicado. Houve grande receptividade por parte das autoridades e da população, e numa terça-feira, dia 12 de novembro de 2002, data do batizado do Protomártir, fizemos uma bela e evocativa solenidade, com a presença do rico mundo cultural de São João, três prefeitos, vereadores, moradores de várias cidades, e outros segmentos da sociedade, todos dando o primeiro passo da longa jornada que planejamos. Em 2009 “passei o bastão” para outros dirigentes. Na sequência foram criados, sem minha participação, o Dia da Liberdade e a Comenda da Liberdade e Cidadania.


DIA DA LIBERDADE

Liberdade e Cidadania. No dia 13 de novembro de 2011 foi realizada uma cerimônia na Fazenda do Pombal, município de Ritápolis, para a entrega da Medalha “Comenda da Liberdade e Cidadania”. No Diploma da Comenda está a justificativa da mesma: “A Comenda da Liberdade e Cidadania, destinada a condecorar personalidades que engrandeceram os ideais do Alferes Tiradentes e “que se destacaram em prol do incentivo, apoio e divulgação das atividades relacionadas à Liberdade, à Cidadania, à Responsabilidade Social, à Cultura, à Preservação Ecológica e Ambiental, à História, ao Civismo, além do desenvolvimento socioeconômico, turístico e cultural da Região do Rio das Mortes em Minas Gerais, engrandecendo e dignificando os municípios signatários, o Estado de Minas Gerais e o País” nos termos de sua regulamentação pelo Decreto Conjunto nº. 001/2011, de 06 de setembro de 2011”.

A trajetória da Comenda, até ser instituída, foi um longo caminho. A ideia da criação do Dia da Liberdade também não era nova. Era quase uma consequência em todos os que estudavam a história da Inconfidência Mineira. Afinal, a Inconfidência foi o primeiro movimento cívico-militar cuja finalidade precípua era a conquista da liberdade, a soberania do Brasil, a criação de uma Pátria. Nessa conjuração o personagem mais importante, que a propagou em Vila Rica e na cidade do Rio de Janeiro, e também ao longo da estrada, que hoje denominamos Estrada Real, e que liga essas duas localidades, foi Tiradentes. Ele era o único conspirador a propagá-lo, pois os demais conspiravam entre quatro paredes, em conciliábulos, e alguns eram quase desconhecidos de quem não participava da conjura. Tiradentes era o único que aparecia em público verberando a dominação lusa, pregando abertamente a independência do país e oferecendo perigo para a Coroa portuguesa; e como foi batizado no dia 12 de novembro de 1746, data em que nasceu para o mundo, pois a do seu natalício é desconhecida, é quase impossível aos historiadores deixarem de fazer a ligação da liberdade do país com o Alferes, e, dessa forma, com o dia do seu batismo.

A primeira iniciativa concreta para oficializar o dia 12 de novembro como sendo o Dia da Liberdade foi tomada em 18/11/1999 pelo deputado estadual de Minas Gerais Antônio Andrade, com um projeto de lei que chegou a ser aprovado nas Comissões de Justiça e de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, mas não teve prosseguimento. Em 2004, no IHG-MG, eu pedi aos confrades Márcio José da Cunha Jardim, Ildefonso Silveira de Carvalho, Gilberto Madeira Peixoto e Avelar Rodrigues para, comigo, formarmos uma comissão cuja finalidade era estudar e promover a construção de um parque histórico na Fazenda do Pombal, projeto que iniciara em 2002; eles aceitaram, e o Presidente do Instituto baixou uma portaria formalizando-a, chegando ela a realizar cinco reuniões. Na quarta, do dia 05/06/2004, Gilberto Madeira Peixoto sugeriu criar-se o Dia da Liberdade a ser celebrado no dia 12 de novembro, porém não foram tomadas as providências consequentes. Em 2006 o historiador José Antônio de Ávila Sacramento, então Presidente do IHG-SJDR, falou com o Governador Aécio Neves e pediu seu interesse para a criação do referido Dia, a ser comemorado na mesma data, e entregou-lhe um documento com a justificativa do pleito. Posteriormente, o governador mandou dizer-lhe que seria mais adequado o encaminhamento da petição por via legislativa. José Antônio de Ávila Sacramento, então, procurou o deputado estadual Domingos Sávio, que concordou e apresentou o Projeto de Lei nº.1.177/2007, no qual havia um dispositivo determinando a transferência simbólica do governo de Minas para São João del-Rei na referida data. Posteriormente, o mesmo deputado Domingos Sávio fez no projeto uma modificação retirando a determinação da transferência do governo. E após isto o projeto ficou parado, faltando apenas ser levado a plenário. Persistente, o mesmo historiador encaminhou, em 02 de fevereiro de 2007, uma carta ao deputado federal Reginaldo Lopes solicitando seu empenho para, como mineiro e deputado federal, auxiliar no andamento do citado projeto de lei existente na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, cuja tramitação não estava tendo prosseguimento, e sugerindo que tal medida legislativa fosse tomada também em âmbito federal. O referido deputado apresentou, em 2009, na Câmara Federal, um projeto de lei instituindo o Dia Nacional da Liberdade, a ser celebrado no dia 12 de novembro.

Minas Gerais deveria ter sido o primeiro estado a incluir no seu calendário cívico o Dia da Liberdade, ou que, pelo menos, essa primazia pertencesse a um de seus municípios, porque foi um seu filho que se tornou o Patrono Cívico da Nação, porém, lamentavelmente, isto não aconteceu, para vergonha nossa. O casal Dr. Mário Pellegrini Cupello - Dra. Elizabeth Santos Cupello, residentes em Valença - RJ, onde são próceres culturais, e também pertencentes a entidades culturais de São João del-Rei, solicitou ao deputado estadual fluminense Nelson Gonçalves a apresentação de projeto de lei semelhante para seu estado. Isto foi feito e, coroando a iniciativa do referido casal, o Governador do Estado do Rio de Janeiro sancionou, em 22/12/2009, a Lei nº.5.625, a primeira a consagrar a Liberdade com um Dia.

Voltemos a Minas Gerais.

Em princípios de 2002 visitei vários municípios do Campo das Vertentes convidando seus prefeitos, vereadores e pessoas que me eram indicados como mais cívicas, para comparecerem a uma solenidade que eu promoveria na Fazenda do Pombal em 12 de novembro, e lhes falava e entregava um folheto explicando o porquê do evento, com todos os dados necessários. Dizia eu que era o início de uma jornada destinada a, futuramente, construir-se um parque ou memorial dedicado a Tiradentes.

Em São João del-Rei procurei inicialmente o Presidente do IHG-SJDR, historiador José Antônio de Ávila Sacramento, que me levou à presença das autoridades civis e militares, federais, estaduais, municipais, culturais, políticas e eclesiásticas do município, num trabalho grande e demorado. Depois juntou-se a nós o Dr. Wainer de Carvalho Ávila, também do IHG-SJDR, no trabalho de divulgação da futura promoção cívica. Assim, no dia 12 de novembro de 2002, com apoio total do Dr. Nivaldo Machado, Diretor da então FLONA – Floresta Nacional de Ritápolis (Fazenda do Pombal) e a presença dos Prefeitos Higino Zacarias de Souza, de Ritápolis; Paulo de Carvalho Vale, de Prados, e Gilberto José Pinto, de Resende Costa; Carlos Reinaldo de Souza, Presidente da Academia de Ciências e Letras de Conselheiro Lafaiete; Vereador José Antônio do Nascimento, Presidente da Câmara de Tiradentes com cerca de 60 escolares; Vereador de São João del-Rei Adenor Luiz Simões Coelho; grande número de militares do Regimento Tiradentes (11° BIMth - Exército) com sua Banda de Música; o rico mundo cultural de São João del-Rei; grande número de maçons; o Dr. Eberhard Hans Aichinger com uma equipe do Instituto Estrada Real, e representantes de vários municípios. Eram mais de 150 pessoas, mesmo tendo a data caído em uma terça-feira, dia útil. Continuamos a promover a solenidade até o ano de 2007, e em dois anos que não pude estar presente o Presidente do IHG-SJDR, José Antônio de Ávila Sacramento, encarregou-se de tomar todas as providências, para não deixar de ser realizado o culto à memória de Tiradentes no torrão onde ele nasceu. Em 2008 o Comandante do 38º Batalhão de Polícia Militar, sediado em São João, TenCel Milton de Oliveira Costa, quis encarregar-se de todo o evento e o fez com grande brilhantismo. Nesse ano compareceram uma delegação de 7 associados do IHG-MG e outra de 40 integrantes da Associação dos Reservistas do Brasil – Seção Belo Horizonte. O Comandante do 38º BPM ofertou-me um honroso troféu, por ter sido eu o iniciador daquela jornada cívica.

Em 2009 não pude comparecer ao evento da Fazenda do Pombal, que foi organizado pela Academia de Letras de São João del-Rei, sendo presidente o acadêmico Wainer de Carvalho Ávila e vice-presidente o acadêmico João Bosco da Silva. Dissera este último que, devido às dificuldades encontradas, viu que era necessário engajar o poder público naquele trabalho cívico, e aproveitou que estavam presentes à solenidade o Dr. José Egídio de Carvalho, Secretário da Prefeitura de São João, do Sr. Nilzio Barbosa Pinto, Prefeito de Tiradentes, e do Sr. Antônio Ronato de Melo, Prefeito de Ritápolis, a criação do Dia da Liberdade nos respectivos municípios.

Em 2010 a solenidade na Fazenda do Pombal foi novamente coordenada pela mesma Academia. Seu presidente esteve adoentado, e grande parte dos preparativos ficou a cargo do vice-presidente João Bosco da Silva, que também presidiu sua realização. Eu estava presente e pude testemunhar a correção e esmero de que a mesma se revestiu. O coordenador teve apoio logístico da Prefeitura de Ritápolis.

Já vimos que o referido acadêmico, em novembro do ano anterior, sugerira aos representantes dos municípios cuja história está ligada à Fazenda do Pombal, a criação do Dia da Liberdade em suas jurisdições. Passado algum tempo o Secretário José Egídio de Carvalho lhe solicitou uma minuta de projeto de lei referente ao que lhe fora sugerido, já que ele, João Bosco da Silva, trabalhara anteriormente, no Ministério do Exército, em função ligada à preparação de tais documentos. Atendido, a minuta, após passar pelo crivo dos órgãos competentes do município, transformou-se na Lei nº.4.418/2010 de São João del-Rei. Após este feliz desfecho para o calendário cívico da cidade que fora cogitada para ser a capital dos inconfidentes, e depois dos revolucionários liberais de 1842, João Bosco da Silva levou uma cópia do texto da lei aos prefeitos das outras duas cidades, que logo depois também criaram o Dia da Liberdade: Lei nº.2.559, de 19/08/10, de Tiradentes, e Lei nº.1.178, de 02/09/10, de Ritápolis. O mesmo acadêmico, na edição do dia 13 de novembro de 2010 do hebdomadário Gazeta de São João del-Rei, publicou um artigo sobre as três leis e, com muita felicidade, denominou-as de Triângulo da Liberdade. Acredito que tenha desejado associar os três municípios que criaram o Dia da Liberdade à figura triangular imaginada para a bandeira do país soberano com que Tiradentes sonhara, e hoje presente no pendão mineiro. Ainda mais: o Berço do Heroi, o Berço da Pátria, está contido e protegido no interior desse triângulo.

Logo após sua eleição e posse no Governo de Minas Gerais, o Governador Antônio Anastasia sancionou a Lei nº.19.439 em 11/01/2011, instituindo o Dia da Liberdade no território mineiro, consequência do já referido projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Domingos Sávio, aprovado pela Assembleia Legislativa no final da legislatura anterior. Finalmente, a presidente da República assinou a Lei nº.13.117 do dia 07 de maio de 2015, determinando a mesma homenagem a Tiradentes com a instituição do Dia Nacional da Liberdade, a ser comemorado em todo o território nacional no dia 12 de novembro de cada ano civil.

Os municípios de Ritápolis, São João del-Rei e Tiradentes criaram, respectivamente, com as Leis Municipais nº.1.217 de 1º de setembro, 4.651 de 29 de agosto e 2.614 de 18 de agosto, todas de 2011, a Medalha da Comenda da Liberdade e Cidadania (acima mencionada) a ser concedida por esses municípios nas comemorações do Dia da Liberdade. Essas leis, em bela demonstração de uníssono sentimento cívico, foram regulamentadas ineditamente pelo Decreto Conjunto nº.001/2011 de 06 de setembro. Por força do citado Decreto, foram feitos o Regulamento e o Conselho da Medalha, passando a fazer parte do referido Conselho os Prefeitos e Presidentes das Câmaras Municipais dos três municípios, além dos membros da Chancelaria da Medalha, a saber:


Chanceler - Dr. Eugênio Ferraz
Vice-Chanceler - Dr. Wainer de Carvalho Ávila
Secretário - Prof. Francisco José dos Santos Braga
Vice-Secretário - Dr. Auro Aparecido Maia de Andrade.

A data para a realização das solenidades alusivas ao Dia da Liberdade, e da entrega da Comenda, na Fazenda do Pombal, passou a ser o “domingo mais próximo ao dia 12 de novembro”. No ano de 2011, esse “domingo mais próximo” ocorreu no dia 13.

Também ficou convencionado que a organização das solenidades alusiva ao Dia da Liberdade ficaria, a cada ano, como encargo de uma das três cidades signatárias do Decreto Conjunto.

As festividades do dia 13 de novembro de 2011 foram organizadas pela Chancelaria da Medalha e pela Prefeitura de São João del-Rei, esta representada pelo Secretário de Planejamento José Egídio de Carvalho. Eu compareci à mesma, mas não pude fazê-lo às programadas para os dias anteriores, e assim pedi ao acadêmico João Bosco da Silva para informar-me sobre elas.


Transcrevo a seguir as informações recebidas.

1) De 9 a 12 de novembro foi realizado um Ciclo de Estudos do Instituto Histórico e Geográfico de São João del-Rei e Seminário Liberdade e Cidadania, sob a presidência do Prof. Artur Cláudio da Costa Moreira, em parceria com a Chancelaria da Comenda, propiciando vários eventos culturais como palestras, mesas redondas e conferências, sempre versando sobre temas como Liberdade e Cidadania, Inconfidência Mineira, Patrimônio Cultural, Meio Ambiente, etc. O local dos eventos foi a sede do Instituto Histórico e Geográfico, ocupando os períodos da manhã, da tarde e da noite, e contando com a participação de especialistas e palestrantes de renome nacional.

2) No dia 10 de novembro, também na sede do IHG-SJDR, ocorreu a abertura de exposição de quadros do artista plástico Fernando Pacheco, bem como o lançamento de seu livro intitulado “O Papel do Artista”, além da divulgação de obras de outros autores, como o livro “Tiradentes em Sete Lagoas”, de autoria do jornalista e advogado Márcio Vicente da Silveira Santos; Livro “Doenças e Mistérios do Aleijadinho”, 3ª edição, de autoria do médico Geraldo Barroso e Edição nº 5/2011 da revista “Memória Cult”, editada sob a direção do Dr. Eugênio Ferraz.

3) O dia 12 de novembro foi bastante especial, tendo ocorrido:

a) Palestra de encerramento das atividades culturais na sede do IHG-SJDR;

b) Por iniciativa dos caminhantes Murilo Cabral e Ana Cintra, assim como da Maçonaria de São João del-Rei e região, foi feito um conjunto de atividades cívicas junto à estátua do Tiradentes, na Avenida Presidente Tancredo Neves, em homenagem ao Dia da Liberdade, e presididas por José Egídio de Carvalho, coordenador das atividades relacionadas ao Dia da Liberdade por parte da Prefeitura de São João del-Rei. O início fora marcado para as 8 horas e estavam presentes representantes e membros das diversas lojas maçônicas de São João del-Rei e adjacências, um grupo de caminhantes, a Banda de Música do 11º Batalhão de Infantaria de Montanha, autoridades civis e militares, entre elas o Dr. Eugênio Ferraz. As atividades começaram com o hasteamento das bandeiras do Brasil, de Minas e de São João del-Rei, e a execução do Hino Nacional pela Banda. Seguiu-se a deposição de coroas de flores junto à estátua do Tiradentes pelas Lojas Maçônicas, pronunciamento do maçom Desembargador Antônio de Pádua e a recitação do poema Ruínas do Pombal, da autoria de João Bosco da Silva, pelo músico e caminhante Francisco Braga. Encerrada a cerimônia, a Loja Maçônica Charitas II ofereceu um pequeno lanche a todos que dela participaram. Partiu então daquele local um grupo de caminhantes com destino à Fazenda do Pombal.

A caminhada foi liderada pelo Maj R/1 do Exército Murilo Cabral e recebeu, ao longo do seu itinerário, a adesão de muitos maçons e do TenCel Alan, Comandante do 38º BPM. No sítio histórico de destino os caminhantes foram recebidos por muitas pessoas que para lá haviam seguido de carro, e pelo Dr. Fábio Veloso, diretor daquela área administrada pelo Instituto Chico Mendes. Finalizando a jornada cívica iniciada na Av. Tancredo Neves, junto à estátua do Protomártir, foi ao lado das ruínas da Fazenda novamente recitado o poema Ruínas do Pombal e, a seguir, o Major Murilo Cabral fez uso da palavra.

c) À noite apresentação da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e de artistas locais, e show do músico Marcus Viana, com a apresentação de sua composição “Coração de Heroi”, adotada como hino da Comenda da Liberdade e Cidadania.

4) Finalmente, no dia 13 de novembro, houve os seguintes eventos:

De 7h15m as 7h35m: “apitaço” do trem turístico São João del-Rei - Tiradentes.

Em seguida “repique” e “sinfonia” dos sinos de Igrejas de São João del-Rei, na famosa “linguagem dos sinos”.

A partir de 8h30m a Prefeitura colocou vans à disposição dos agraciados e seus acompanhantes para conduzi-los à Fazenda do Pombal, local da cerimônia de entrega das Comendas, e depois trazê-los de volta.

Da cerimônia na Fazenda do Pombal participou a Banda de Música do 9º Batalhão de Polícia Militar sediado em Barbacena, MG; um balão pertencente à Federação de Balonismo de Minas Gerais permaneceu estacionado próximo ao local da cerimônia, impedido de sobrevoar aquele sítio histórico, como havia sido previsto, devido às más condições meteorológicas, mas deslocou-se verticalmente até pequena altura algumas vezes, sem deslocamento horizontal, para atender algumas poucas crianças presentes. O tempo estava ameaçador, porém não choveu.

Às 10h40m o Governador em Exercício, Vice-Governador Alberto Pinto Coelho, chegou ao local da cerimônia e a Banda Militar deu os toques de estilo; seguiu-se um hino anunciado como Nacional, mas que na realidade não o era, pois não tinha entonação, ritmo e métrica oficiais, com palavras indevidamente repetidas, como observei na segunda parte: o vocábulo “adorado” repetido uma vez e o último, “Brasil”, três vezes cantado. Em que pese a bela voz da cantora, o que ouvimos não foi o Hino Nacional. Ouviu-se também o “Hino da Comenda da Liberdade e Cidadania”; entrada ritual de alguns integrantes da Ordem dos Cavaleiros da Inconfidência conduzindo as Medalhas; procedeu-se ao agraciamento.

O músico Marcus Vianna falou sobre a música que compôs. Pronunciaram-se o Chanceler da Medalha, Dr. Eugênio Ferraz, o Vice-Chanceler Dr. Wainer de Carvalho Ávila e o Vice-Governador Alberto Pinto Coelho.

Terminou a solenidade.

Notei a ausência de “povo”. Isto talvez tenha sido pelo fato de que fora divulgado que seria permitida a entrada apenas de autoridades e dos agraciados com um acompanhante ou padrinho, pois o local fica a 12 km do centro de São João del-Rei e não havia local para estacionamento de muitos carros.

Reconhecimento da Pátria aos Inconfidentes

O julgamento dos inconfidentes durou três anos, com a vinda de Portugal de juizes especiais a demonstrar a importância do movimento libertário, e por isto repercutiu em todo o Brasil, embora não ostensivamente, por causa da violenta repressão real.

Com a vinda da família real em 1808, cresceu no seio do povo brasileiro a noção da importância que representava nosso país no reino lusitano, tanto que foi elevado em 1815 a Reino Unido com Portugal e Algarves, e assim também cresceu a consciência da importância do sonho inconfidentista, com a lembrança ainda viva do sacrifício de Tiradentes feito havia menos de duas décadas.

Ainda antes da Independência, em 21 de setembro 1821, poucos meses depois de D. João VI regressar a Portugal e antes mesmo de D. Pedro resolver ficar no Brasil, recusando-se a cumprir ordens de Lisboa, e no mesmo dia em que se instalou, a Primeira Junta do Governo Provisório de Minas, ou Governo Provisional da Capitania de Minas em Vila Rica, determinou a demolição do "padrão de infâmia" erguido em 1792 no mesmo local onde residira Tiradentes. Foi um ato de rebeldia praticado por uma junta governamental, no qual, destruindo aquele símbolo de infâmia, implicitamente proclamava que a infâmia não existira e que o movimento inconfidentista fora justo e patriótico, e heróis os seus autores! E isto apenas 29 anos decorridos, e em aberta negação ao que afirmava o governo português! Aliás, o padrão já fora depredado pelo povo, e estava quase destruído, e a manifestação da Junta apenas formalizou a repulsa da população.

Mesmo muito antes da Independência o próprio governo português praticou vários atos que contrariavam as sentenças condenatórias dos inconfidentes, como a autorização, em 1808, para "sentar praça" como cadete no Exército, a um filho do Tem Cel Francisco de Paula Freire de Andrada, degredado para a África, e cujos filhos e netos tinham sido declarados infames.

A partir da Independência, embora discretamente porque o regime era monárquico e o imperador descendente da Rainha que condenara Tiradentes, este foi lembrado e cultuado cada vez mais, e o movimento pela implantação da República tomou-o como seu ídolo.

Em 3 de fevereiro de 1832, o Conselho Geral da Província de Minas Gerais propôs uma lei ordenando a restituição dos bens seqüestrados aos inconfidentes.

Em 3 de abril de 1867, por determinação do Presidente da Província de Minas Gerais, Joaquim Saldanha Marinho, foi erguido no exato local onde em 1792 fora exposta a cabeça de Tiradentes, em Ouro Preto, e utilizando um bloco de pedra que servira de pelourinho, uma grande coluna em homenagem ao Alferes. Esse monumento, conhecido como Coluna Saldanha Marinho, cedeu seu lugar para a ereção de outro após a proclamação da República,em 1892, e foi recolhido à Câmara Municipal daquela cidade. Em 1947, por ocasião do cinqüentenário de Belo Horizonte, foi trazido para a capital mineira e exposto no então Museu Histórico e depois guardado em um depósito da Prefeitura. Em 1980, o Prefeito de Ouro Preto fê-lo retornar àquela histórica cidade, e está hoje na Praça Amadeu Barbosa (Praça da Barra).

De acordo com a Lei n°3, de 25 de setembro de 1891, o Governo de Minas Gerais mandou erguer um monumento a Tiradentes, tendo sido a primeira pedra lançada a 21 de abril de 1892. A inauguração foi feita a 21 de abril de 1894. É uma estátua de bronze, de 2,85m. de altura, representando o herói de pé, encarando sobranceiro as cumeadas da Serra do Itacolomi, dando as costas ao palácio dos déspotas. Um pedestal de granito, e a altura de 19m, emprestam muita grandiosidade ao monumento, mas dificultam, por colocá-la muito elevada, a observação da fisionomia da estátua. A praça, que hoje se chama Praça Tiradentes é, pode-se dizê-lo com segurança, o coração de Ouro Preto.

Em 1892, por ocasião do centenário da morte do Protomártir, a cidade de São José del Rei passou a chamar-se Tiradentes, e na sua Praça das Forras foi levantada uma coluna comemorativa.

No centenário da Independência, em frente ao Palácio Tiradentes, no Rio de Janeiro, construído no local da antiga cadeia onde o Alferes e outros inconfidentes estiveram presos, foi erguida uma grande estátua de Tiradentes, de autoria de Francisco de Andrade.

Em Belo Horizonte, no Governo do então Presidente Antônio Carlos (1929), foi erguido na Praça Rui Barbosa (Praça da Estação) um grandioso Monumento à Civilização Mineira, um cujas quatro faces são prestadas homenagens a grandes vultos de nossa história, entre eles Tiradentes e os demais inconfidentes. Há, entretanto, no referido monumento uma inverdade, qual seja, a de nele constar como inconfidentes Fernando José Ribeiro e José Martins Borges, que não o foram. Ocorre que eles aparecem condenados na sentença dos Autos de Devassa, que apenas parcialmente e em locais diferentes foram publicados, sendo o corpo dos Autos praticamente desconhecido naquela época. Assim, o escultor Giulio Starace os incluiu em seu trabalho bem como o nome de um escravo, Nicolau, do Padre Rolim, inaugurado em 1930, sendo o engano percebido quando da publicação dos Autos, em sete volumes, em 1936 / 1938. Viu-se então que o primeiro fora condenado a degredo perpétuo e o segundo a dez anos de galés (trabalhos forçados e acorrentado), não por terem sido inconfidentes, mas por terem de tal acusado um inimigo, injusta e dolosamente. Na referida edição ainda não constam os clérigos inconfidentes.

Em Belo Horizonte, na Praça Tiradentes, o Prefeito Amintas de Barros mandou erguer uma estátua de Tiradentes, de autoria de Antônio Van Der Wiel.

Por empenho do historiador Augusto de Lima Júnior, o Presidente Getúlio Vargas assinou um Decreto em 21 de abril de 1936 determinando providências para a exumação dos restos mortais dos inconfidentes e seus restos mortais transladados para o Brasil. O próprio historiador foi oficialmente encarregado da missão. As cinzas dos heróis cujos restos foram encontrados chegaram ao Rio de Janeiro em 24 de dezembro de 1936, acondicionadas em treze urnas. Recebidas solenemente pelo Presidente da República, autoridades, tropa e povo, as urnas foram desembarcadas dos navios, conduzidas em cortejo no dia 27 e depositadas na Igreja do Senhor dos Passos. Foram posteriormente transportadas em trem especial para Ouro Preto, e lá recebidas pelo Presidente da República no dia 15 de julho de 1938, ficando depositadas na Matriz de Antônio Dias. No dia 21 de abril de 1942 foram levadas para o Museu da Inconfidência colocadas no seu Panteão dos Heróis. Foram repatriados os restos dos heróis José Álvares Maciel, Inácio José de Alvarenga Peixoto, Luiz Vaz de Toledo Piza, Domingos de Abreu Vieira, Francisco de Paula Freire de Andrada, Francisco Antônio de Oliveira Lopes, Vitoriano Gonçalves Veloso, Tomás Antônio Gonzaga, João da Costa Rodrigues, Salvador Carvalho do Amaral Gurgel, Vicente Vieira da Mota, Antônio de Oliveira Lopes e José Aires Gomes.

A Lei n° 4.897, de 09-12-1965, assinada pelo Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, declara Patrono Cívico da Nação Brasileira a Tiradentes, e determina que anualmente as Forças Armadas, os estabelecimentos de ensino, as repartições públicas, etc., com a presença de seus servidores, homenagem a "excelsa memória desse patrono"; e ainda, que nas respectivas sedes seja inaugurada a efígie de Tiradentes.

O Governador de Minas Gerais, Dr. Aureliano Chaves, com o Dec. n° 18.005, de 27-07-1976, instituiu a Medalha Alferes Tiradentes, com que a Polícia Militar distingue personalidades por prestarem serviços relevantes à Corporação. Foi modificado pelo Dec. n° 29.774, de 17-07-89.

O Governador Juscelino Kubitscheck, com a Lei n° 882, de 28-07-1952, criou a Medalha da Inconfidência.

Em Dec. Lei Est. de 02-12-1938 o Governo Estadual doou à União o antigo prédio da cadeia e da Câmara do Senado de Vila Rica (Ouro Preto), para nele ser instalado o Museu da Inconfidência, posteriormente criado com o Dec. Lei Fed. n° 965, de 20-12-1938, e inaugurado em 1944.

O Dec. Fed n°9.028, de 29-04-46, declara o Alferes Patrono das Polícias Militar e Civil de todos os Estados e Distrito Federal.

O Governo de México e o Movimento Cívico Jurista solicitaram e o Governador Rondon Pacheco enviou àquele país, dentro de uma urna de jacarandá, um pouco de terra do Sítio do Pombal, onde nasceu Tiradentes. O Sítio pertence ao Município de Ritápolis – MG e é administrado pelo Ibama e pelo Iphan.

Brasília foi inaugurada no dia 21 de abril de 1960, em homenagem a Tiradentes.

Há, espalhados pelo Brasil, inúmeros monumentos e quadros sobre a Inconfidência, principalmente Tiradentes, com a grande maioria deles em Minas, Rio de Janeiro e São Paulo. A maioria das cidades brasileiras tem pelo menos uma rua homenageando o Protomártir, sendo também encontradiço o seu nome em estabelecimentos de ensino. As Polícias Militares de todas as unidades da federação dão aos seus colégios de nível médio a denominação de Colégio Tiradentes.

É interessante observar que o movimento para resgatar e glorificar a memória dos Inconfidentes tomou um grande impulso quando, em 1862, foi inaugurada uma estátua de D. Pedro I nas proximidades do local do enforcamento de Tiradentes. Sendo nosso primeiro monarca neto de D. Maria I, isto foi considerado um insulto, eclodindo então grande indignação em todo o país.

A Lei n° 4.897, de 09-12-1965, assinada pelo Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, declara Patrono Cívico da Nação Brasileira a Tiradentes, e determina que anualmente as Forças Armadas, os estabelecimentos de ensino, as repartições públicas, etc., com a presença de seus servidores, homenageiem a "excelsa memória desse patrono"; e ainda, que nas respectivas sedes seja inaugurada a efígie de Tiradentes.

O Governador de Minas Gerais, Dr. Aureliano Chaves, com o Dec. n° 18.005, de 27-07-1976, instituiu a Medalha Alferes Tiradentes, com que a Polícia Militar distingue personalidades por prestarem serviços relevantes à Corporação. Foi modificado pelo Dec. n° 29.774, de 17-07-89.

Em Belo Horizonte, na Praça Tiradentes, o Prefeito Amintas de Barros mandou erguer um estátua de Tiradentes, de autoria de Antônio Van Der Wiel.

O Governo de México e o Movimento Cívico Juarista solicitaram e o Governador Rondon Pacheco enviou àquele país, dentro de uma urna de jacarandá, um pouco de terra do Sítio do Pombal, onde nasceu Tiradentes. O Sítio situa-se no Município de Ritápolis – MG.

Relação dos 24 inconfidentes condenados e seus destinos

MILITARES:

- Alferes Joaquim José da Silva Xavier
- Tenente-Coronel Francisco de Paula Freire de Andrada
Estes dois militares pertenciam à tropa regular, recebiam soldo, eram profissionais.

CIVIS:

- Antônio de Oliveira Lopes (agrimensor)
- Cláudio Manoel da Costa (advogado – fazendeiro – poeta)
- Domingos de Abreu Vieira (comerciante – Ten Cel Aux)
- Domingos Vidal de Barbosa Laje (médico)
- Francisco Antônio de Oliveira Lopes (fazendeiro – Cel Aux)
- Ignácio José de Alvarenga Peixoto (faz. – Cel Aux – magistrado – poeta)
- João da Costa Rodrigues (estalajadeiro)
- João Dias da Mota (fazendeiro - Cap. Aux)
- José Aires Gomes (fazendeiro)
- José Álvares Maciel (engenheiro químico)
- José de Rezende Costa (fazendeiro)
- José de Rezende Costa Filho (estudante)
- Luiz Vaz de Toledo Piza (fazendeiro)
- Salvador Carvalho do Amaral Gurgel (médico)
- Tomás Antônio Gonzaga (magistrado – poeta)
- Vicente Vieira da Mota (contador - Cap. Ordenanças)
- Vitoriano Gonçalves Veloso (alfaiate)

Embora alguns dos inconfidentes apareçam como militares, eram realmente civis. Seus postos militares eram dos então Regimentos de Ordenanças ou Auxiliares, que só se reuniam esporadicamente para inspeções ou então em perturbações graves ou invasões de estrangeiros. Nada recebiam, e ainda eram responsáveis pelo fardamento e armamento dos subordinados.

Quase todos os civis eram também mineradores.

CLÉRIGOS:

- Cônego Luis Vieira da Silva
- Padre Carlos Correia de Toledo e Melo
- Padre José da Silva e Oliveira Rolim
- Padre José Lopes de Oliveira
- Padre Manoel Rodrigues da Costa

A maioria dos padres tinha também fazendas e mineração.


INCONFIDENTES CONDENADOS QUE VOLTARAM AO BRASIL:


- Cônego Luis Vieira da Silva
- José de Rezende Costa Filho
- Padre José da Silva e Oliveira Rolim
- Padre Manoel Rodrigues da Costa


INCONFIDENTES QUE TÊM SUAS CINZAS DEPOSITADAS NO PANTEÃO DOS HERÓIS, DO MUSEU DA INCONFIDÊNCIA, EM OURO PRETO IDENTIFICADOS E TRAZIDOS PARA O BRASIL NA DÉCADA DE 1930:


- Antônio de Oliveira Lopes
- Domingos de Abreu Vieira
- Francisco Antônio de Oliveira Lopes
- Francisco de Paula Freire de Andrada
- Ignácio José de Alvarenga Peixoto
- João da Costa Rodrigues
- José Aires Gomes
- José Álvares Maciel
- Luiz Vaz de Toledo Piza
- Salvador Carvalho do Amaral Gurgel
- Tomás Antônio Gonzaga
- Vicente Vieira da Mota
- Vitoriano Gonçalves Veloso


IDENTIFICADOS E DEPOSITADOS NO MUSEU DA INCONFIDÊNCIA EM 30 DE ABRIL DE 2011:


- Domingos Vidal Barbosa
- João Dias da Mota
- José de Resende Costa, pai

Nenhum dos clérigos tem seus restos mortais no Museu da Inconfidência porque a exumação se deu em 1936, e a parte dos Autos de Devassa relativa a eles só foi encontrada em 1950, de modo que até aquela data não se sabia se suas sentenças tinham sido confirmadas pelo governo português. Posteriormente procurou-se, mas não foram encontrados os restos mortais nem do Padre Toledo, que morreu em Portugal, nem dos demais, que voltaram para o Brasil. Três dos inconfidentes que morreram no degredo não tiveram seus restos localizados, bem como os de Cláudio Manoel da Costa.



TÊM TAMBÉM SUAS CINZAS DEPOSITADAS NO MUSEU DA INCONFIDÊNCIA:


- Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, a famosa Marília dos apaixonados poemas de Tomás Antônio Gonzaga.

Bárbara Heliodora Guilhermina da Silveira, esposa, musa e sustentáculo do poeta Ignácio José de Alvarenga Peixoto.

Era a sua Bárbara Bela.
Os Autos de Devassa

Autos de Devassa é o nome do processo que julgou os inconfidentes, principal fonte para o estudo da Inconfidência.

Até mais ou menos o ano de 1860 pensava-se que eles estavam em Portugal, em local desconhecido, quando então foram encontrados "metidos em um saco verde" na Secretaria do Império, faltando porém a parte, relativa aos eclesiásticos.

O historiador Mello Morais Filho, Diretor do Arquivo Distrital, copiou-o e publicou-o quase todo na Revista do Arquivo a partir de 1861, na ortografia original, e pouca gente dele tomou conhecimento.

Entre 1936 e 1938 a Biblioteca Nacional publicou os Autos em sete volumes, com linguagem atualizada, embora ainda faltando a parte relativa aos religiosos. Entre 1976 e 1983, a Imprensa Oficial do Estado de Minas Gerais publicou, por força de um convênio celebrado entre o Estado e a Câmara de Deputados (federal), os Autos de Devassa completos, em 10 volumes, já contendo a parte relativa aos religiosos, descoberta em Portugal em 1950 e que o Brasil arrematou em leilão realizado na Inglaterra. Em 2001 o MinC – IPHAN – Museu da Inconfidência publicou o 11° volume dos Autos, com documentos complementares.

A Bandeira de Minas Gerais

Os Autos de Devassa registram que os Inconfidentes estudaram a criação de uma bandeira, e Tiradentes sugeriu que ela contivesse um triângulo representando as pessoas da Santíssima Trindade, não fazendo nenhuma referencia à sua cor nem à do fundo. Alguns historiadores entendem que seria um triângulo eqüilátero, outros que três triângulos eqüiláteros concêntricos.

Proclamada a República, em Minas foi adotada a bandeira dos inconfidentes, porém com a cor do triângulo não definida, ora verde, ora vermelha. Finalmente, a Lei Estadual n° 2.793, de 08-01-1963, decretou que a cor é a vermelha. Continua o dístico Libertas Quae Sera Tamen, proposto por Alvarenga Peixoto.

Seu desenho e forma são: um retângulo branco com 20 módulos de comprimento e 14 de largura; ao centro, o triângulo eqüilátero tem 8 módulos de lado. A posição das palavras latinas é a que se vê sempre: Libertas Quae Sera Tamen.

Tiradentes: Origem e Aparência

Tiradentes era brasileiro, filho de pai português e mãe brasileira, batizado Joaquim José da Silva Xavier, nasceu numa fazenda que hoje está no município de Ritápolis, próximo a São João Del Rei, cujo território integrava quando o herói nasceu, e à cidade de Tiradentes, que pertencia a seu pai. Ficando órfão ainda criança, foi criado por um tio, que lhe ensinou a arte de dentista, donde lhe veio a alcunha de Tiradentes.

Trabalhou muitos anos como mascate ao longo das estradas, com tropa de burros, constando ter ido até a Bahia; conhecia plantas medicinais e como fazer curativos; fez projetos de captação de água e construção de armazéns e outras obras no Rio de Janeiro; abriu parte da estrada que ligava Vila Rica ao Rio de Janeiro. Conhecia bastante de minérios.

Com 29 anos de idade entrou para o Regimento da Cavalaria de Minas Gerais como Alferes, posto correspondente a Tenente hoje. Naquele tempo não havia separação entre Exército, Polícia Militar e Polícia Civil, tudo era feito pela mesma tropa. Foi encarregado de muitas missões e viajava freqüentemente ao Rio de Janeiro, onde ficava às vezes por muito tempo. Esteve destacada junto às estradas para perseguir e prender bandoleiros que as infestavam.

Era inteligente, boa caligrafia, conhecia um pouco de latim, possuía dicionário de francês, lia livros sobre a independência americana. tinha uma personalidade exaltada e inquieta, muita curiosidade, falava muito e era convincente. por causa de suas atividades, suas idéias, suas pregações, chamavam-no, além de Tiradentes, também de "o corta-vento", "gramaticão", "o república" e "o liberdade", segundo o historiador Márcio Jardim. Não há nenhum quadro nem descrição mostrando qual era sua aparência física, sabendo-se apenas que era branco, porque teve dois irmãos padres, cuja cor branca foi atestada por autoridades eclesiásticas.

Como foi enforcado e era considerado mártir, os artistas – pintores e escultores – representaram-no parecendo com Jesus Cristo em seu martírio, cabelos e barbas longos, aparência essa que se popularizou.

Qualquer artista pode representá-lo como desejar, pois não há nenhuma descrição ou quadro a retratá-lo. Entretanto o governo federal chegou a editar um decreto, em 1966, estabelecendo como modelo para a reprodução de sua efígie a estátua existente à frente do Palácio Tiradentes, no Rio; posteriormente revogou-o.

Em que pese a liberdade artística para representar o Patrono Cívico da Nação, eu creio que devemos nos limitar a dois modelos: um deles o tradicional, como imaginado na hora de seu sacrifício, e o outro é a figura de Alferes, fardada, moço ainda e forte, vivo, a pregar nossa soberania. Prefiro esta última imagem, que exorta para a vida e à luta pelo bem da Pátria.

Se Tiradentes foi um herói na hora da morte, maior herói foi em vida. Seu sacrifício foi a culminância trágica do sonho libertário, mas não foi apenas seu holocausto que o alçou à heroicidade, por mais sublime que tenha sido, e sim o ter sido um dos idealizadores de nossa independência, o maior articulador, o mais eficiente aliciador de adeptos, seu maior propagador, a pessoa mais visível do sonho procurado. E é assim que devemos imaginá-lo e representá-lo, para exemplo de todos os brasileiros: o Alferes garboso e resoluto, que olha para a frente, confiante no glorioso destino do Brasil! Antes de imaginá-lo morto imaginemo-lo vivo!

A data de seu nascimento é desconhecida, mas se sabe que é bem próxima da do seu batizado, realizado em 12 de novembro de 1746. Foi preso no dia 10 de maio de 1789, no Rio de Janeiro. Era solteiro, mas teve, comprovadamente, uma filha, que morreu ainda criança, e segundo a tradição, mais um filho que deixou longa descendência.

Importância da Inconfidência

Inconfidência e Tiradentes, vejamos porque aquele movimento foi diferente dos demais, e porque a morte do Alferes tem um significado muito diverso da dos demais mártires.

O Brasil pertencia a Portugal, que desde o início empreendeu grandes esforços para colonizar as terras descobertas, enviando seus naturais para explorar nossas riquezas e administrá-las. Aquele país era e é pequeno territorialmente, e nas suas colônias é que estavam as maiores promessas de riqueza para os reinóis, que sonhavam vir realizá-la e voltar para dela gozar na Europa.

Com o passar do tempo muitos portugueses se fixaram na colônia, mas tudo de que necessitavam vinha do Reino, e os que conseguiam acumular fortuna mandavam seus filhos estudarem na metrópole.

Com a descoberta das minas de ouro e de pedras preciosas aumentou a vinda dos lusos e a importação de escravos. A população cresceu rapidamente, e em conseqüência o número de núcleos urbanos, principalmente em Minas Gerais, onde se desenvolvia a mineração que possibilitava o enriquecimento de muita gente, daquém e d'além mar.

Embora já houvesse gerações – filhos, netos, bisnetos – nascidas no Brasil, todos se sentiam portugueses, porém aos poucos começaram a perceber que estavam sendo discriminados, pois os cargos mais importantes da administração eram destinados apenas aos portugueses de nascença, e os nascidos na terra espoliados para manter a corte em Lisboa. Também os filhos das pessoas abastadas que iam estudar em Portugal tomavam contato com um mundo completamente diferente do que conheciam, e com as idéias libertárias e de resistência ao absolutismo, que depois desembocaram na independência dos Estados Unidos em 1776 e na Revolução Francesa mais de uma década depois. Pouco a pouco começávamos a pensar como brasileiros e não como portugueses.

Regressando da Europa, os estudantes traziam as novas idéias e conhecimentos, e embora muito discretamente os iam divulgando, principalmente em Minas, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e Pernambuco, centros mais adiantados na época. Em Vila Rica, então o maior aglomerado urbano de Minas, concentravam-se as pessoas mais cultas e ricas da capitania, e nela formou-se e cresceu o embrião da Inconfidência Mineira.

Todos os movimentos políticos ocorridos no período colonial são admiráveis na nossa história, mas apenas a Inconfidência tinha por finalidade a independência do Brasil, a criação da Pátria Brasileira. A Inconfidência foi o único movimento político – insurrecional que tinha por finalidade precípua a independência, não só de Minas Gerais ou de uma região, mas de todo o Brasil, tanto que os inconfidentes mantiveram ligações com personalidades de outras províncias e até com autoridades de outros países.

Todo mundo aspira a uma vida pacata, calma, criar a família, viver e deixar viver, enfim. Além disso, nós não sentimos falta do que não conhecemos e nem sabemos que existe. Hoje não concebemos a vida sem geladeira, automóvel, televisão, liberdade política, etc., porém antes vivíamos muito bem sem essas comodidades e a democracia. Todos os governos eram absolutistas, e para o povo aquilo era o normal, isto é, vivia sob a arbitrariedade sem ter consciência de que era subjugado.

Pela primeira vez, em 1776, uma colônia conseguia tornar-se independente: os Estados Unidos libertaram-se da Inglaterra. Aquele acontecimento foi um verdadeiro choque político, surpreendeu o mundo, e as colônias viram que para elas também poderia abrir-se um horizonte de liberdade, uma esperança que foi trazida para o Brasil principalmente pelos jovens que na Europa iam estudar.

Estas novas idéias encontraram um campo fértil para se desenvolver na mente dos nascidos no Brasil, e também na de alguns portugueses aqui residentes, possuidores de propriedades e casados com brasileiras.

Em Vila Rica, essas idéias de liberdade empolgaram um grande número de pessoas, mas como era perigoso expressá-las, um pequeno grupo é que, às escondidas, se encontrava para discuti-las. Os principais conjurados, um dos quais era o Alferes, a maioria nascida e moradora em Minas Gerais, a mais rica capitania, havendo alguns de outras capitanias e também portugueses.

Nas reuniões realizadas, sempre em segredo, ficou constatado que seria difícil obter apoio popular, por causa da repressão policial e também porque o povo não estava conscientizado para a criação de uma Pátria. Era, portanto, preciso encontrar um motivo que colocasse a população contra o governo, e ele surgiu quando as autoridades anunciaram que seria feita uma derrama.

Desde o início da mineração os mineradores pagavam um tanto do que conseguiam a Portugal, porém com o tempo as minas foram se exaurindo e a sonegação aumentando. Portugal era em grande parte sustentado pelo ouro que recebia do Brasil, e com o decréscimo da arrecadação, resolveu fixar uma quantidade fixa de arrobas de ouro que a província de Minas Gerais deveria pagar anualmente, não incidindo apenas sobre os mineradores mas sobre toda a população. Aos que não tinham com que pagar tomavam o gado, mantimentos e tudo de valor que possuíssem, e dessa violenta cobrança o povo tinha verdadeiro pavor. Essa brutal extorsão era chamada de derrama.

Os inconfidentes resolveram, para aproveitar a insatisfação geral, deflagrar a rebelião no dia marcado para ser iniciada a derrama, mas foram traídos. O governo adiou-a e prendeu os revoltosos.

Gente de má fé costuma dizer, para diminuir a importância da Inconfidência, ou outras mal informadas, que ela foi feita por pessoas que não queriam pagar imposto, mas isto não é verdade, havia verdadeiro idealismo nos inconfidentes, embora alguns fossem devedores da fazenda. O dia da derrama somente foi escolhido para aproveitar a insatisfação popular. O que mais revolta a grande maioria da população, que luta penosamente pela sobrevivência, é a arrecadação extorsiva, é uma política econômica injusta. Nos Estados Unidos mesmo aconteceu isto. Os americanos, descendentes dos ingleses, eram grandes consumidores de chá mas não podiam plantá-lo, sendo obrigados a importá-lo, pagando o que lhes fosse imposto. Em 1776 os ingleses aumentaram demais o preço daquela bebida, os americanos começaram um quebra-quebra, incendiaram navios e a revolta expandiu-se, culminando com a independência do país.

Já vimos como se originou a Inconfidência; ela não tinha por finalidade evitar a derrama; ela tinha por finalidade a formação da Pátria Brasileira, e só quando já estava estudada e decidida e se discutia qual a melhor data é que foi lembrada a daquela cobrança; não estava circunscrita a Minas Gerais, estendendo-se a outras províncias (estados).

Importância de Tiradentes

Vimos que Tiradentes era inteligente, tinha várias habilidades, porém não era o mais importante social e economicamente. No grupo de conspiradores havia coronéis, advogados, desembargadores, padres, escritores e poetas, todos com desenvolvimento intelectual e posição social superiores às dele. Mesmo na parte econômica muitos eram mais bem aquinhoados, embora Tiradentes possuísse bens que recebera de herança ou adquirira com seu trabalho.

Então – muita gente pergunta - por que se sobressaiu, se tantos tinham mais projeção que ele? A resposta vamos ver agora.

Ele era curioso, tinha sede de saber, sua mente estava sempre em ebulição procurando criar alternativas e resolver problemas, e por isso, enquanto os demais ficavam pensando nas idéias de liberdade que chegavam, ele já procurava concretizá-las, através de sua divulgação e conquista de adeptos.

Era exaltado e intolerante com a injustiça e a desumanidade, constando que uma vez, quando era mascate, foi preso porque agrediu um homem que maltratava seu cavalo; era ansioso pela independência, crente de que com ela muitas injustiças seriam evitadas.

Era falador, loquaz. Se isto muitas vezes é considerado defeito, no caso da Inconfidência foi uma virtude, pois tendo esta particularidade e viajando muito, Tiradentes propagou o que pretendiam fazer ao longo das estradas e nas cidades.

Era imprudente e ousado. Numa época em que era muito perigoso criticar as autoridades, podendo uma pessoa ser presa e condenada por simples suspeitas, perigosíssimo era falar em liberdade para o país, era revoltar-se, contra o rei, Tiradentes o fazia com a maior desenvoltura, abertamente, imprudentemente é verdade, mas dando grande impulso ao movimento, mostrando a todos que o Brasil poderia ficar livre e soberano. E nenhum dos outros inconfidentes cometia tal imprudência, que se confundia com sua enorme coragem.

Quando foram presos, todos os inconfidentes negaram que estivessem planejando a independência do Brasil, o que é natural; mais tarde, quando viram que não adiantava mais negar, acabaram confessando, mas sempre procurando minimizar a própria participação, para que sua culpa parecesse a menor possível aos olhos das autoridades portuguesas, o que é perfeitamente natural e próprio da natureza humana.

Tiradentes também negou, porém posteriormente, quando soube que tudo já estava descoberto, acabou confessando, com a particularidade de que não procurou diminuir a própria responsabilidade. Ao contrário, disse que era responsável pelo início e pela expansão do movimento revolucionário, que os outros só aderiram porque ele os convencera e sempre falou com firmeza e coragem, atitudes estas que conservou até o patíbulo.

Vários inconfidentes foram condenados à morte, porém Portugal, por motivos diversos, preferiu degredá-los para a África e as Índias. Precisava, entretanto, dar um exemplo que aterrorizasse a todos os brasileiros, para que eles jamais ousassem novamente tentar libertar-se dos grilhões que os escravizavam aos portugueses. Alguém precisava morrer do modo mais cruel possível, mas quem? O mais importante deles, politicamente? O mais rico? Um intelectual? Não, tinha que ser o mais conhecido da população, o que mais se mostrara brasileiro, o que mais ostensivamente desafiara Portugal: o Alferes Joaquim José da Silva Xavier!

Tiradentes não era nobre, tinha cultura mediana, altura média, era branco, militar de patente média, não era rico nem pobre, não estudou na Europa nem freqüentou colégios, pois estes não existiam na colônia, e o que sabia aprendera com um tio e outros familiares, era enfim um cidadão comum; e ele, um cidadão comum, foi a mais forte personificação de amor à Pátria que nossa história registra.

Por tudo isto o Alferes Joaquim José da Silva Xavier é considerado o Protomártir da Independência e foi declarado Patrono Cívico da Nação Brasileira e Patrono das Polícias Militares e Civis de todos os estados.

Trinta anos depois da morte de Tiradentes a Independência foi proclamada. Tiradentes, como já mostramos, era um homem comum. Não era nenhum super-herói. Era uma pessoa como qualquer um de nós. Só que, naquele tempo, apenas um homem da raça branca poderia tomar atitudes, mas hoje, se a nação precisar, qualquer um de nós, homem ou mulher de qualquer raça pode fazê-lo, pode ser um novo Tiradentes, desde que sinta o mesmo acendrado amor ao Brasil que ele sentia.

Miremo-nos em Tiradentes. Lembremo-nos de seu civismo. Procuremos imitá-lo.

Tiradentes o Patrono Cívico do Brasil

Em 09 de dezembro de 1965, com a lei nº. 4.897, o Alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, foi declarado oficialmente o Patrono Cívico da Nação Brasileira, com o que ele passou a ocupar o lugar principal no panteão de nossos heróis, ou falando esportivamente, o primeiro lugar no pódio do civismo brasileiro.

O Patrono é uma personalidade escolhida como figura exemplar, que encarna ou sintetiza as virtudes características de um segmento da sociedade, mantendo vivas as suas tradições. Pode significar também Protetor, ou ainda Padroeiro, segundo Aurélio. Os católicos consideram que Nossa Senhora Aparecida é a protetora do Brasil encarna todo o sentimento religioso do povo brasileiro, sendo por isso cultuada como a Padroeira do Brasil.

Civismo, conforme se lê nos dicionários, é o patriotismo, é o espírito público, é o desprendimento em prol da Pátria.

Estudando-se nossa história, vê-se que a Inconfidência foi o primeiro movimento que reuniu um grupo de pessoas com a finalidade de criar a Pátria Brasileira, e Tiradentes, seu líder, foi o inconfidente que mais propagou a liberdade, como seus companheiros presos afirmaram em interrogatórios mostrados nos Autos de Devassa; seu amor pelo país era tão grande que desdenhava dos avisos para ser mais prudente, pelo risco que sua vida corria; materialmente nada tinha a ganhar com a vitória; seu desprendimento foi total, doou-se inteiramente ao sonho da liberdade e da soberania. E por estarem concentrados em sua pessoa e em sua existência os mais puros sentimentos e ideais que devem caracterizar todos os brasileiros, ele foi declarado nosso Patrono Cívico.

Tiradentes o Protomártir da Independência

Muitos brasileiros morreram lutando contra o dominador português e os invasores holandeses e franceses bem antes de Tiradentes nascer, mas não estavam lutando pela nossa independência. Quando das lutas que empreendemos pela nossa soberania, em 1822 e 1823, brasileiros se sacrificaram realmente pela nossa independência, mas Tiradentes foi o primeiro a imolar-se pelo ideal da Pátria, e por este motivo recebeu glorioso reconhecimento ao ser declarado Protomártir da Independência, isto é, o primeiro mártir da nossa soberania.

Em 1624 os holandeses ocuparam, de 1630 a 1654, grande parte do nordeste. A reação começou em Pernambuco, Alagoas e Paraíba, e sem auxílio de Portugal, uniram-se os brancos sob o comando de André Vidal de Negreiros, os índios com Felipe Camarão e os negros com Henrique Dias, e derrotaram os holandeses em duas grandes batalhas, ambas travadas nos Morros dos Guararapes, onde se cobriram de glória. Acontece que eles lutaram e morreram, não pela independência, mas para devolver o território a Portugal, pois embora nascidos no Brasil se consideravam portugueses. Se eles se considerassem brasileiros, fácil teria sido proclamar a independência. Foram heróis, mas não pela nossa independência.

Em Minas Gerais várias foram as revoltas contra os portugueses, e a mais famosa foi a de Vila Rica, hoje Ouro Preto, em 1720, na qual foi enforcado, e consta que esquartejado, Felipe dos Santos. Ocorre que todas as revoltas foram motivadas pela ganância das autoridades portuguesas, que asfixiavam os mineiros com impostos escorchastes ou com injustas formas de cobrá-los, e nenhuma delas procurava a liberdade do país.

Em 1817 estourava em Pernambuco a Revolução Pernambucana, unindo Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, e sua finalidade era a independência daqueles três estados e não a do Brasil. A repressão enforcou e fuzilou muitos de seus chefes, verdadeiros heróis, porém não da independência do Brasil.

Quando D. Pedro I proclamou a independência, em 7 de setembro de 1822, as tropas portuguesas que aqui estavam não a aceitaram, e na Bahia, em 1823, muito brasileiros morreram lutando contra o exército português. Estes sim, foram heróis de Independência, mas não os primeiros.

Verificamos, então que nossa história é rica em momentos que mostram não aceitarem os brasileiros qualquer forma de opressão, mas até a Inconfidência Mineira nenhum deles teve características nacionais, de uma nação, de uma sociedade que queria ser livre. Somente com a Inconfidência isso ocorreu, e nela se elevou a figura ímpar do Alferes Joaquim José da Silva Xavier .

Então, porque a Inconfidência foi o primeiro movimento político cuja finalidade era fazer do Brasil uma nação soberana, e nela foi Tiradentes o único a morrer, ele é reconhecido como o Protomártir.

Tentativas de Menosprezo da Inconfidência e de Tiradentes

Francisco Inácio Marcondes Homem de Melo, futuro Barão Homem de Melo, na Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro de maio de 1960, acusava:

"Há nas escolas, nos partidos, nas seitas políticas, uma tendência irresistível para modificar o passado no sentido de suas idéias, e muitas vezes do seu interesse. Um episódio da história pátria é tratado como uma tese de partido; e a geração passada comparece ante o tribunal das paixões do dia, para ser louvada ou vituperada conforme os preconceitos de cada um."

O que foi dito há quase um século e meio continua válido para os dias de hoje, porque também hoje há maus brasileiro que põem a verdade histórica em segundo plano, alguns por ignorância ou leviandade, porém a maioria é com doentia intenção de denegrir e menosprezar tudo que é nosso, que é Brasil.

Os brasileiros honestos reconhecem as nossas falhas, mas também vêem nossas imensas virtudes, sejam as praticadas pelos nossos antepassados, sejam as que praticamos agora. Devemos mostrar o que fizemos de errado para não reincidir no erro, e do mesmo modo o que acertamos, para melhorarmos sempre.

Todos nós, como indivíduos, temos uma história familiar, como nossos pais, avós, bisavós, tios, nos orgulhando da maioria deles e citando-os como exemplo. Do mesmo modo nós, como brasileiros, temos uma história coletiva feita pelos nossos antepassados, e dentre eles os mais gloriosos foram OS INCONFIDENTES e especialmente TIRADENTES.

Vamos agora recordar alguma coisa sobre eles. Não tratamos aqui de ensinar o que foi o movimento glorioso da Inconfidência, mas relembrá-lo por alguns de seus aspectos mais interessantes e que mais impressionam nossa alma patriótica.

Resgate de Tiradentes

Constando ser eu descendente do Protomártir e ocupando a cadeira da qual é ele o Patrono sugerimos, em reunião do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais, iniciar-se um movimento cívico destinado a perpetuar o idealismo e o sacrifício dos Inconfidentes. Lembramos que todas as civilizações, mesmo as mais primitivas, procuram imortalizar o que julgaram transcendente, como seus deuses, heróis e acontecimentos marcantes de sua identidade coletiva, e que mesmo hoje, em países de avançada tecnologia e manifesto materialismo, é intensamente estimulado o culto aos heróis e símbolos nacionais, com a finalidade de manter vivas as glórias do passado, pois estas alimentam o orgulho pátrio e são o paradigma da conduta cívica; e que na história do Brasil não há acontecimento maior que a Inconfidência Mineira, cuja finalidade precípua foi a criação de uma Pátria.

Há 250 anos nasceu Tiradentes. Até os quase 50 anos palmilhou nossas estradas, plantando a semente da liberdade nas fazendas, povoados e cidades, e apesar do seu holocausto por mais de 100 anos permaneceu ignorado.

Vamos agora, nestas Minas Gerais que ainda não têm um hino para cantá-las, começar a planejar e executar a grande jornada para perpetuar em um grande parque ou memorial na pedra e no aço, de modo grandioso e eloqüente, o ambiente, o clima e os atores da Inconfidência, personalizada no alferes Joaquim José da Silva Xavier, a fim de que todos os brasileiros sintam na mente e no coração, a pureza e a profundidade do sentimento de brasilidade que o animou. Sem esquecer os demais Inconfidentes, mostremos o Alferes jovem, idealista, intrépido, altivo, forte e confiante, incansável na sua pregação e convicto de suas idéias libertárias, que não se escondia nem se negou até o último alento de vida.

Aquele parque ou memorial poderia ser um autêntico Berço da Pátria a ser erigido na região que guarda os passos do Pai da Liberdade, em ampla área circundada pelas cidades históricas de Minas, devendo ser dotada de toda infra-estrutura necessária para fazê-la capaz de receber peregrinações cívicas e culturais, e ainda constituir-se em atração turística.

Assim como Tiradentes, não hesitemos nem pensemos nas dificuldades que surgirão ou na possibilidade de fracasso: as primeiras serão superadas e o segundo não existe. Vamos demorar um ano? Dez anos? Cem anos? Não importa, o tempo não conta. Então, vamos dar o primeiro passo que a seguir toda a sociedade brasileira caminhará conosco.

Publicado no Estado de Minas de 03-09-1996

Sonho Cívico – Conferência Proferida no IHG-MG

Prezados Consócios do IHG – MG

Solicitei do nosso Presidente, Prof. Herbert Sardinha Pinto, que autorizasse a realização desta Seção Especial, e a remessa da convocação de todos os senhores, datada de 04/11/96, na forma que a redigi e ele aprovou. Agradeço a atenção que me estão dispensando e passo a explanar e detalhar a proposta que fiz nesta Casa, na sessão plenária de abril 94.

Sabemos que todas as civilizações, mesmo as mais primitivas, procuraram imortalizar o que julgavam de maior transcendência, como deuses, heróis e acontecimentos mais marcantes de sua identidade coletiva, representações de sua cultura, suas conquistas e vitórias. Daí encontrarmos em todas as regiões do mundo, belos e grandiosos monumentos arquitetônicos, estátuas e obras de arte que, resistindo à ação do tempo, trouxeram até nós e levarão às gerações futuras a história dos povos e nações que os construíram. Alguns desses povos e nações desapareceram, e sua existência permaneceu completamente ignorada por séculos, e eternamente assim permaneceriam se os monumentos que construíram não tivessem sido resgatados às areias do deserto que os sepultavam, ou às tentaculares árvores das grandes florestas tropicais que os escondiam. Essas civilizações desapareceram, mas não morreram, porque sua memória continua vibrante nas obras físicas que nos legaram, muitas delas contando, através de gráficos e pictóricas, nelas gravadas, sua emocionante história.

Mais recentes e bem conservadas são as de origem egípcia, grega e romana. As duas últimas não se limitam à finalidade de perpetuar a memória dos seus governantes, mas sim, em grande parte a registrar o cotidiano dos seus habitantes e a cultura e os feitos de seus povos. E assim procederam todos os povos seus contemporâneos ou que lhes sucederam. Mesmo nos dias atuais, as principais nações, as do chamado primeiro mundo, cultivam intensamente seus heróis e os símbolos nacionais, para manter vivas as glórias do passado que alimentam o orgulho nacional e constituem um paradigma de conduta para a consecução dos objetivos nacionais.

O Brasil, embora jovem e pacífico, é rico em grandes feitos individuais e coletivos, dentre os quais alguns, como os movimentos sediciosos da Vila do Carmo em Minas, a Confederação do Equador, a Balaiada, a Revolução Praieira e a Revolução Farroupilha, mostraram nossa inquietude e a ânsia, embora ainda de forma nebulosa, de adquirir uma identidade, ou de inconformismo e não aceitação do que parecia querer tolher a liberdade já conquistada.

A primeira manifestação contraria à dominação estrangeira foi a reação à invasão holandesa quando, contrariando ordens da corte portuguesa, conseguimos nos unir, não como um povo, mas como três povos diferentes – brancos, negros e índios – cada um singularmente representado, derrotando o invasor batavo e reimplantando o espírito português. Português porque não pensávamos como brasileiros, pois se assim fosse aproveitaríamos aquela ocasião ímpar para nos libertar, com o moral alevantado ao mais alto grau pela vitória que conseguíramos impulsionados por vontade própria, nascida e concretizada na então colônia, pela primeira vez manifestando um genuíno sentimento de nativismo. Eram três povos que pela primeira vez lutavam com um objetivo comum.

Nosso imenso território foi conquistado pacificamente, e muitas vezes inconscientemente, com os boiadeiros, os garimpeiros e os bandeirantes empurrado o limite do Tratado de Tordesilhas para cada vez mais longe, e depois por meio de tratados que reconheciam situações de fato, criadas pela ocupação de territórios por parte de nossos antepassados.

O Brasil de hoje tem uma imensa dívida de gratidão para com todos esses verdadeiros super-homens, que nos precederam e nos deram a conformação territorial atual, estruturaram nossa cultura e nossa autodeterminação, mas nunca expressa essa gratidão, ou se faz, fá-lo com timidez, sem planejamento e sem continuidade, Isto tem dado margem a que se homenageiem nossos compatriotas quase que exclusivamente sob a emoção de um acontecimento, às vezes sem maior relevância e muitas vezes forjados por interesses menores e casuístas. O exemplo mais enfático é a morte de João Pessoa nos idos de 1930 quando, como candidato a Vice-Presidente da República, teve seu assassinato transformado ficticiamente em assunto de interesse nacional, pela manipulação, de um crime puramente passional e conjugal, em atentado de lesa-liberdade nacional. E João Pessoa ganhou a imortalidade dando seu nome à capital de seu estado natal e recebendo um conjunto memorial em que é representado de corpo inteiro.

O brasileiro, de um modo geral, conhece muito mais os heróis e a história da Grécia, de Roma, da França e dos Estados Unidos que a do próprio Brasil. Do país norte-americano, então, até as crianças e os semi-analfabetos falam, comentam e admiram, e com isto nossa dependência, inclusive cultural, aumenta sempre.

Precisamos reagir. Sem xenofobismo, mas precisamos reagir. Temos que mostrar, ou melhor, temos que tornar os brasileiros conscientes de que temos um passado que nos orgulha, personalidade própria e um futuro grandioso; de que temos uma identidade como nação e que precisa aflorar em toda a sua plenitude. Se no passado pensávamos como portugueses, após a república como franceses e depois da 2ª Guerra como norte-americanos, por que não podemos – como devemos – pensar como brasileiros?

Precisamos trabalhar nossa mentalidade para enfrentar os problemas e o "jeitinho brasileiro", e isto não é fácil, é muito difícil. Exigirá planejamento, constância e tenacidade; divisão de tarefas; avaliação de resultados; correção de rumos; e sempre, sempre vontade de fazer. Não poderá haver estrelismo.

- É preciso acatar todas as boas sugestões, venham de onde vierem.
- É preciso acreditar na importância do trabalho que se está fazendo.
- É preciso estar convicto para poder transmitir convicção.
- É preciso estar consciente de que não haverá resultados imediatos.
- É preciso saber que provavelmente não descansará à sombra da árvore que está plantando, mas continuar plantando. Há e haverá muito trabalho a fazer, mas não se está sozinho, muitos outros foram chamados à lide e estão respondendo "presente".
- É preciso acreditar na vitória.

Por maior que seja a importância das ações dos nossos ancestrais e os movimentos e acontecimentos que fundiram o Brasil, nenhum deles foi maior que a Inconfidência Mineira, protagonizada pelos inconfidentes. O ideal e a abrangência da Inconfidência Mineira não visaram a alcançar fins locais, e sim a independência nacional. Sua pregação e preparação estenderam-se para além das divisas de Minas, a outras províncias, e foram estabelecidos contatos com personalidades d'além mar; portanto, sua denominação em minha modesta opinião, não deverá conter adjetivos, sendo nomeada simplesmente de A INCONFIDÊNCIA, por ter sido a única que tentara, até então, materializar nosso sonho de liberdade.

Apesar de o mundo oficial ter conhecido a transcendentalidade da Inconfidência, proclamando como Patrono da Nação a Tiradentes, a população brasileira até hoje não a assimilou, vendo no Protomártir um herói mais mineiro que nacional, e no panteão dos heróis que o ideário cívico popular de cada estado construiu, ele ocupa lugar de menor relevo, por exemplo, que Osório e Bento Gonçalves no Rio Grande do Sul, e Vidal de Negreiros, Felipe Camarão e Henrique Dias em Pernambuco. A população ainda não compreendeu com clareza quem foi e o que fez Tiradentes para ser entronizado no altar-mor da Nação Brasileira.

Repetindo: Tiradentes, fora de Minas Gerais, é uma figura distante, qual se fora apenas um herói mineiro.

Para a quase totalidade do Brasil a Inconfidência Mineira é comparada à Insurreição Pernambucana, com até menor significação, por que nesta o invasor holandês foi repelido, não se atinando que lutamos como portugueses e não como brasileiros. A Guerra dos Farrapos é um hino à altivez gaúcha, mas ocorreu num Brasil já independente, e em certo momento houve até intenção de secessão, com a proclamação da República do Piratini. E assim em todos os Estados de Federação.

Nosso objetivo é, sem deslustrar nenhum movimento ou herói estadual, conscientizar a todos de que a Inconfidência foi a primeira tentativa de concretização do ideal de liberdade que já começava a invadir os corações brasileiros, e que de seus autores o principal foi Tiradentes, um homem comum, com muitos dos defeitos de todos nós, porém idealista, para acreditar na liberdade futura do país; intrépido, para poder enfrentar todos os riscos que sabia existirem; incansável, para poder percorrer as longas distâncias até o Rio de Janeiro, várias vazes e durante alguns anos, pregando a liberdade; confiante, para acreditar que suas idéias vingariam; forte fisicamente, para enfrentar as cansativas jornadas que empreendeu, e moral e psicologicamente, para enfrentar com serenidade o martírio; altivo, para enfrentar seus julgadores sem jamais baixar a cabeça; e convicto de suas idéias, para por elas morrer com dignidade.

Como parte importante desse processo de ensinamento e conscientização da população é imprescindível construir um grande parque memorial, em pedra e aço, com os símbolos nacionais e as estatuas de todos os inconfidentes, porém com dimensões monumentais e em amplo espaço, para transmitir sensação de força e grandiosidade e causar impacto. A área, com tais obras, poderia ser tomada como verdadeiro Berço da Pátria, e contaria ainda com infra-estrutura capaz de permitir-lhe receber peregrinações cívicas e culturais, além de constituir-se em atração turística nacional.

Tal área seria escolhida em região palmilhada por Tiradentes e contornada pelas cidades vizinhas, que seriam ligadas a ela por estradas asfaltadas. Essas cidades não perderiam suas relíquias para o futuro Berço da Pátria; pelo contrário, o complementariam conservando-as, e se beneficiariam do fluxo turístico que seria criado. A área deverá necessariamente ter grandes dimensões, para poder conter bosques e lagos, além de todas as construções funcionais e de apoio.

Para aqueles mais céticos ou imediatistas, darei apenas dois exemplos de iniciativas tomadas sem maiores pretensões, que hoje são atrações nacionais e internacionais, e cujo segredo para o êxito foi a perseverança na busca de realizar seu ideal:

- Há cerca de 50 anos um gaúcho, ex-sargento da Aeronáutica, casou-se com uma jovem cujo pai possuía uma fazenda no distrito de Fazenda Nova, lugarejo a 180 km de Recife, edificado entre morros e pedras. Naquele ambiente que lhe pareceu semelhante ao da Judéia, teve a idéia de fazer algo parecido com Jerusalém, para ambientar melhor as comemorações da Semana Santa. Pouco a pouco, com os próprios meios e aquele sonho sempre presente, foi erigindo com pedras os muros e construções, até conseguir formar um palco ao ar livre, que dizem ser o maior do mundo, a que deu o nome de Nova Jerusalém. As solenidades da Semana Santa atraem hoje milhares de pessoas do Brasil e do exterior e são protagonizadas por artistas de renome.

- Há várias décadas alguns colonos, não sei bem como, começaram a embelezar a criar atrações em uma parte das serras gaúchas, com paciência, capricho e continuidade, dando origem ao conjunto turístico de Gramado e Canela, que na realidade nada têm de especial, mas onde a limpeza, a beleza, o ajardinamento e a infra-estrutura adequada atraem turistas do cone sul e de todo o Brasil, que viajam até 5.000 km para visitá-lo.

Para viabilizar o que chamamos Berço da Pátria, é imprescindível, é fundamental que atuemos desde o primeiro momento através da mídia, que devemos procurar conquistar e acionar permanentemente.

Todos nós sabemos do poder dos meios de comunicação, principalmente da televisão, embora menos acessível para nós que o escrito e falado. O Brasil quase todo é servido por luz elétrica, inclusive as áreas rurais, e nos lugares mais afastados o jornal não chega, mas lá estão presentes o rádio e a TV, sendo que esta, por ser transmissora de imagens, é a que mais impressiona as pessoas.

Assim, precisamos utilizar ao máximo os meios de comunicação, alimentando-os com profusão de dados históricos sobre a Inconfidência antes do dia 21 de abril de cada ano, não só os de Belo Horizonte, como também os das cidades interioranas dos demais estados. Além do trabalho junto à imprensa, outro meio de comunicação que deverá ser empregado ao máximo são os outdoors, nas estradas e vias expressas, e também faixas em frente às escolas.

Nas escolas deverá ser feito um trabalho especial junto aos professores, procurando motivá-los para que, independentemente da matéria que lecionem, procurem sempre mostrar aos seus alunos a importância e o significado para o Brasil da Inconfidência e de Tiradentes. Este trabalho junto aos professores terá de ser feito com muita habilidade e sinceridade, sob pena de ser contraproducente como o foi em parte a cadeira de Moral e Cívica, introduzida pelos militares com a mais patriótica das intenções. A dificuldade maior em tal área é que o professor deve transmitir não só um ensinamento, mas uma idéia; suas palavras devem atingir não só o raciocínio e a memória, mas também o coração e o sentimento. E isto somente será alcançado se o professor estiver convencido do que estiver fazendo.

Como os senhores estão vendo, a jornada a percorrer é longa e os obstáculos serão muitos, mas em compensação não temos prazo para concluí-la. Vamos trabalhar calmamente, porém sem parar. Vamos começar. Qual Simão haverá sempre alguém para nos ajudar a carregar a cruz. Vamos iniciar a jornada que outros terminarão.

Adalberto Guimarães Menezes

Cad. n° 72 – Joaquim José da Silva Xavier