Berço da Pátria

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IMPORTÂNCIA DE TIRADENTES


Vimos que Tiradentes era inteligente, tinha várias habilidades, porém não era o mais importante social e economicamente. No grupo de conspiradores havia coronéis, advogados, desembargadores, padres, escritores e poetas, todos com desenvolvimento intelectual e posição social superiores às dele. Mesmo na parte econômica muitos eram mais bem aquinhoados, embora Tiradentes possuísse bens que recebera de herança ou adquirira com seu trabalho.

Então – muita gente pergunta - por que se sobressaiu, se tantos tinham mais projeção que ele? A resposta vamos ver agora.

Ele era curioso, tinha sede de saber, sua mente estava sempre em ebulição procurando criar alternativas e resolver problemas, e por isso, enquanto os demais ficavam pensando nas idéias de liberdade que chegavam, ele já procurava concretizá-las, através de sua divulgação e conquista de adeptos.

Era exaltado e intolerante com a injustiça e a desumanidade, constando que uma vez, quando era mascate, foi preso porque agrediu um homem que maltratava seu cavalo; era ansioso pela independência, crente de que com ela muitas injustiças seriam evitadas.

Era falador, loquaz. Se isto muitas vezes é considerado defeito, no caso da Inconfidência foi uma virtude, pois tendo esta particularidade e viajando muito, Tiradentes propagou o que pretendiam fazer ao longo das estradas e nas cidades.

Era imprudente e ousado. Numa época em que era muito perigoso criticar as autoridades, podendo uma pessoa ser presa e condenada por simples suspeitas, perigosíssimo era falar em liberdade para o país, era revoltar-se, contra o rei, Tiradentes o fazia com a maior desenvoltura, abertamente, imprudentemente é verdade, mas dando grande impulso ao movimento, mostrando a todos que o Brasil poderia ficar livre e soberano. E nenhum dos outros inconfidentes cometia tal imprudência, que se confundia com sua enorme coragem.

Quando foram presos, todos os inconfidentes negaram que estivessem planejando a independência do Brasil, o que é natural; mais tarde, quando viram que não adiantava mais negar, acabaram confessando, mas sempre procurando minimizar a própria participação, para que sua culpa parecesse a menor possível aos olhos das autoridades portuguesas, o que é perfeitamente natural e próprio da natureza humana.

Tiradentes também negou, porém posteriormente, quando soube que tudo já estava descoberto, acabou confessando, com a particularidade de que não procurou diminuir a própria responsabilidade. Ao contrário, disse que era responsável pelo início e pela expansão do movimento revolucionário, que os outros só aderiram porque ele os convencera e sempre falou com firmeza e coragem, atitudes estas que conservou até o patíbulo.

Vários inconfidentes foram condenados à morte, porém Portugal, por motivos diversos, preferiu degredá-los para a África e as Índias. Precisava, entretanto, dar um exemplo que aterrorizasse a todos os brasileiros, para que eles jamais ousassem novamente tentar libertar-se dos grilhões que os escravizavam aos portugueses. Alguém precisava morrer do modo mais cruel possível, mas quem? O mais importante deles, politicamente? O mais rico? Um intelectual? Não, tinha que ser o mais conhecido da população, o que mais se mostrara brasileiro, o que mais ostensivamente desafiara Portugal: o Alferes Joaquim José da Silva Xavier!

Tiradentes não era nobre, tinha cultura mediana, altura média, era branco, militar de patente média, não era rico nem pobre, não estudou na Europa nem freqüentou colégios, pois estes não existiam na colônia, e o que sabia aprendera com um tio e outros familiares, era enfim um cidadão comum; e ele, um cidadão comum, foi a mais forte personificação de amor à Pátria que nossa história registra.

Por tudo isto o Alferes Joaquim José da Silva Xavier é considerado o Protomártir da Independência e foi declarado Patrono Cívico da Nação Brasileira e Patrono das Polícias Militares e Civis de todos os estados.

Trinta anos depois da morte de Tiradentes a Independência foi proclamada. Tiradentes, como já mostramos, era um homem comum. Não era nenhum super-herói. Era uma pessoa como qualquer um de nós. Só que, naquele tempo, apenas um homem da raça branca poderia tomar atitudes, mas hoje, se a nação precisar, qualquer um de nós, homem ou mulher de qualquer raça pode fazê-lo, pode ser um novo Tiradentes, desde que sinta o mesmo acendrado amor ao Brasil que ele sentia.

Miremo-nos em Tiradentes. Lembremo-nos de seu civismo. Procuremos imitá-lo.








Reconhecimento da Pátria aos Inconfidentes

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