Berço da Pátria

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TIRADENTES: ORIGEM E APARÊNCIA


Tiradentes era brasileiro, filho de pai português e mãe brasileira, batizado Joaquim José da Silva Xavier, nasceu numa fazenda que hoje está no município de Ritápolis, próximo a São João Del Rei, cujo território integrava quando o herói nasceu, e à cidade de Tiradentes, que pertencia a seu pai. Ficando órfão ainda criança, foi criado por um tio, que lhe ensinou a arte de dentista, donde lhe veio a alcunha de Tiradentes. Trabalhou muitos anos como mascate ao longo das estradas, com tropa de burros, constando ter ido até a Bahia; conhecia plantas medicinais e como fazer curativos; fez projetos de captação de água e construção de armazéns e outras obras no Rio de Janeiro; abriu parte da estrada que ligava Vila Rica ao Rio de Janeiro. Conhecia bastante de minérios.

Com 29 anos de idade entrou para o Regimento da Cavalaria de Minas Gerais como Alferes, posto correspondente a Tenente hoje. Naquele tempo não havia separação entre Exército, Polícia Militar e Polícia Civil, tudo era feito pela mesma tropa. Foi encarregado de muitas missões e viajava freqüentemente ao Rio de Janeiro, onde ficava às vezes por muito tempo. Esteve destacada junto às estradas para perseguir e prender bandoleiros que as infestavam.

Era inteligente, boa caligrafia, conhecia um pouco de latim, possuía dicionário de francês, lia livros sobre a independência americana. tinha uma personalidade exaltada e inquieta, muita curiosidade, falava muito e era convincente. por causa de suas atividades, suas idéias, suas pregações, chamavam-no, além de Tiradentes, também de "o corta-vento", "gramaticão", "o república" e "o liberdade", segundo o historiador Márcio Jardim. Não há nenhum quadro nem descrição mostrando qual era sua aparência física, sabendo-se apenas que era branco, porque teve dois irmãos padres, cuja cor branca foi atestada por autoridades eclesiásticas.

Como foi enforcado e era considerado mártir, os artistas – pintores e escultores – representaram-no parecendo com Jesus Cristo em seu martírio, cabelos e barbas longos, aparência essa que se popularizou.

Qualquer artista pode representá-lo como desejar, pois não há nenhuma descrição ou quadro a retratá-lo. Entretanto o governo federal chegou a editar um decreto, em 1966, estabelecendo como modelo para a reprodução de sua efígie a estátua existente à frente do Palácio Tiradentes, no Rio; posteriormente revogou-o.

Em que pese a liberdade artística para representar o Patrono Cívico da Nação, eu creio que devemos nos limitar a dois modelos: um deles o tradicional, como imaginado na hora de seu sacrifício, e o outro é a figura de Alferes, fardada, moço ainda e forte, vivo, a pregar nossa soberania. Prefiro esta última imagem, que exorta para a vida e à luta pelo bem da Pátria.

Se Tiradentes foi um herói na hora da morte, maior herói foi em vida. Seu sacrifício foi a culminância trágica do sonho libertário, mas não foi apenas seu holocausto que o alçou à heroicidade, por mais sublime que tenha sido, e sim o ter sido um dos idealizadores de nossa independência, o maior articulador, o mais eficiente aliciador de adeptos, seu maior propagador, a pessoa mais visível do sonho procurado. E é assim que devemos imaginá-lo e representá-lo, para exemplo de todos os brasileiros: o Alferes garboso e resoluto, que olha para a frente, confiante no glorioso destino do Brasil! Antes de imaginá-lo morto imaginemo-lo vivo!

A data de seu nascimento é desconhecida, mas se sabe que é bem próxima da do seu batizado, realizado em 12 de novembro de 1746. Foi preso no dia 10 de maio de 1789, no Rio de Janeiro. Era solteiro, mas teve, comprovadamente, uma filha, que morreu ainda criança, e segundo a tradição, mais um filho que deixou longa descendência.








Reconhecimento da Pátria aos Inconfidentes

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